Enquanto os arranha-céus dourados de Seul ostentam apartamentos de luxo que parecem saídos de um cenário de K-drama, a realidade oculta por trás desses prédios repletos de riqueza é bem diferente.
Na maioria das vezes, a grande maioria dos moradores desses microhabitats, chamados goshiwons, não está desempregada. São trabalhadores de baixa renda, jovens com estudos e tantos idosos sem fonte de renda fixa, que se veem obrigados a ocupar espaços de apenas quatro metros quadrados para garantir um teto. E para eles, o goshiwon representa a única barreira entre a vida nas ruas e uma existência digna.
Para a elite, o “milagre econômico” sul-coreano já foi celebrado por décadas, mas para quase um milhão de pessoas que vivem nesses microquartos, a disparidade salarial e a falta de políticas habitacionais de apoio criam um cenário de crescente precarização.
O contraste entre o brilho de mansões em bairros de alto padrão e as sombras dos goshiwons evidencia uma espécie de “baixo-nível de realismo” que seria irreconhecível nos cenários perfeitos que vemos nos programas de televisão coreanos.
Esses microquartos não são simplesmente um reflexo de “escrutinismo” financeiro; também revelam a complexa interação entre cultura contemporânea, políticas públicas e a busca incessante por um teto em uma das cidades mais densamente povoadas do mundo.





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