O anime Chainsmoker Cat encerrou sua primeira temporada de doze episódios, gerando debate intenso por retratar de forma visceral a dependência de nicotina, a pobreza urbana e o impacto da saúde mental nos personagens. A obra tem sido comparada aos chamados vlogs japoneses “jirai kei”, que também buscam mostrar a vida desordenada de quem convive com transtornos psicológicos.
O que é Chainsmoker Cat
Chainsmoker Cat é um anime que acompanha Yaniko, uma cat-girl antropomórfica que vive em um apartamento sujo, sem decoração colorida e com apenas um pôster nas paredes. Ao longo da temporada, a série expõe hábitos extremos, como fumar cigarros cobertos de lixo, defecar em vasos e até usar flatulência como elemento cômico, tudo isso enquanto aborda a solidão, a marginalização de seres “beastfolk” e a dificuldade de romper com o vício. A produção conta com doze episódios, cada um com cerca de vinte-e-cinco minutos.
| Item | Detalhe |
|---|---|
| Tipo | Anime |
| Temporada | 12 episódios (primeira temporada) |
| Protagonista | Yaniko (cat-girl antropomórfica) |
O que são os vlogs ‘jirai kei’
Os vlogs “messy” japoneses, também conhecidos como jirai kei, são gravações de rotina que mostram um cotidiano imperfeito e solitário. Criadores como Rin00yu, imlynzzz e rzkillx utilizam filtros de beleza pálida, decoração lúdica, cigarros em dispositivos Iqos e trilhas sonoras suaves para criar um contraste entre a estética delicada e a realidade crua, que inclui cicatrizes de automutilação, medicação diária e legendas que expressam descontentamento com trabalho ou vida social. O termo “jirai kei” deriva de “Jirai Onna”, um epíteto pejorativo para mulheres com transtornos de humor.
Estética versus realidade
Enquanto os vlogs costumam envolver quartos decorados com pôsteres coloridos, figuras da Sanrio e iluminação pastel, Chainsmoker Cat apresenta um ambiente oposto: paredes cinzentas, poucos objetos e um cheiro constante de fumaça e sujeira. Essa divergência faz com que o público que esperava o “banda-idô” rosa dos vlogs se depare com uma representação mais brutal da “verdade” que esses criadores tentam mostrar.
Cenas que chocam
A primeira cena do anime já estabelece o tom: Yaniko fuma um cigarro coberto de lixo e, logo depois, defeca no vaso antes de acender mais cinco cigarros simultaneamente. Nos episódios seguintes, ela cospe na cabeça do senhorio, solta gases na cara dele e tem seu cheiro de fezes usado como efeito sonoro em um microfone. Críticos como Elijah Gonzalez (Polygon) descrevem a estreia como “uma descida espiral em depravação de cat-girl”, enquanto Nillohi Bagchi (Indiatimes) aponta que muitos espectadores japoneses abandonaram a série devido ao seu “vulgarismo exagerado”.
Além do humor grotesco
Apesar das piadas escatológicas, o anime não se limita ao choque visual. Ele explora a relação entre vício, saúde mental e exclusão social dos beastfolk, que enfrentam barreiras de emprego e são confinados a comunidades próprias, exceto pelo senhorio humano. A série também inclui cartões informativos que explicam, por exemplo, que “trinta minutos após parar de fumar, o nível de nicotina no corpo é reduzido à metade e os sintomas de abstinência começam”. Esses momentos revelam a dificuldade real de abandonar hábitos nocivos quando fatores sociais e econômicos limitam as opções.
Reflexões finais
Chainsmoker Cat oferece um espelho cru que permite entender melhor o universo dos vlogs “jirai kei”. Enquanto os criadores reais lidam com o julgamento e o apoio online, Yaniko tem a liberdade de expor tudo sem censura, algo que raramente acontece na internet real. A obra, ao misturar estética pastel com imagens perturbadoras, desafia o espectador a reconhecer que a beleza pode coexistir com a bagunça, mas que a realidade da doença mental muitas vezes é percebida como “assustadora”.
Onde assistir
Até o momento, não há informações oficiais sobre licenciamento ou plataformas de streaming no Brasil para Chainsmoker Cat.





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